A disputa pelo Governo de Pernambuco ganhou novos contornos nacionais e envolveu a política da Paraíba. A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), utilizou suas redes sociais, nesta terça-feira (29) para questionar publicamente o presidente nacional do PSB e seu principal adversário nas urnas, João Campos, sobre o apoio financeiro e político dado à candidatura de Fábio Tyrone à Câmara dos Deputados pela Paraíba.
Tyrone, ex-prefeito de Sousa (PB), foi condenado em 2023 por violência doméstica cometida em 2018 contra sua ex-namorada, a advogada Myriam Gadelha. Apesar de ser réu confesso e de enfrentar forte oposição interna do núcleo de mulheres da própria legenda, o candidato teve sua elegibilidade restabelecida após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduzir sua pena em abril deste ano. Com isso, ele recebeu mais de R$ 1,5 milhão em recursos do fundo partidário do PSB para impulsionar sua campanha eleitoral.
“Minha solidariedade a Myriam Gadelha, vítima de violência doméstica cometida por Fábio Tyrone em 2018. Réu confesso, condenado pela Justiça em 2023, ele concorre a deputado federal pelo PSB. Já faz três anos que as mulheres do partido pedem sua expulsão. Ainda assim, em fevereiro deste ano, Tyrone participou de agenda com João Campos, presidente nacional do PSB, e recebeu mais de R$ 1,5 milhão em recursos do partido para sua campanha. Esse apoio expõe Myriam à revitimização”, declarou em postagem feita em suas redes sociais nesta terça-feira (29).
Em sua publicação, Raquel Lyra manifestou solidariedade a Myriam Gadelha, endossando as críticas de que a manutenção da candidatura e o volume expressivo de verbas expõem a advogada a um processo de revitimização institucional. “Por que João Campos protege um agressor de mulheres?”, cobrou a governadora, ecoando uma pergunta feita pela própria vítima.
O Outro Lado
Em resposta ao desgaste político, a direção nacional do PSB informou que a definição e a distribuição dos repasses financeiros são de responsabilidade direta dos diretórios estaduais. Paralelamente, João Campos afirmou que não presidia o partido na época em que o caso ocorreu, mas que determinou o envio do processo ao Conselho Nacional de Ética da sigla para que o pedido de expulsão de Fábio Tyrone — defendido pela ala feminina do partido e pela deputada Tabata Amaral — seja analisado e concluído com celeridade.
Confira o post feito pela governadora e candidata à reeleição:






