Policial

Filha de idosa encontrada morta em Bayeux diz que Polícia Civil demorou para começar buscas

A filha de Milce Daniel Pessoa, idosa encontrada morta em uma área de mata na cidade de Bayeux, na Grande João Pessoa em abril, disse que a Polícia Civil demorou para iniciar buscas pela mulher e que, quando estas começaram, ela já estava morta, mesmo com o boletim de ocorrência tendo sido registrado três dias antes.

Essas declarações de Suênia Pessoa acontecem após os resultados de perícias feitas no corpo da idosa serem divulgados e constatarem que a mulher teve morte natural, conforme o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB).

A filha diz que um boletim de ocorrência foi registrado no dia 23 de abril, no dia seguinte ao desaparecimento, na Central de Polícia, em João Pessoa. A entrevista da filha foi concedida para a TV Cabo Branco, nesta segunda-feira (1º).

Ficamos em busca dela, chamando, vasculhando toda a região. Foram três dias que minha mãe ficou sem ser procurada na região pela equipe da polícia, responsabilidade do plantonista da Central de Polícia. E nós fazendo nossa parte, como filhos, procurando, os amigos, todo mundo fazendo tudo o que podia”, disse.

A alegação da filha da idosa é de que as buscas da Polícia Civil só começaram no dia 27 de abril, cerca de três dias depois do registro de boletim de ocorrência pela família e, como apontam os laudos do IPC, dia em que Milce já estava morta.

“São muitos dias, principalmente para uma pessoa idosa, eu trato a mesma coisa se fosse uma criança, que não tem como se defender. Então, você imagina uma pessoa perdida dentro de uma mata, sem comer, sem beber,com frio, passando por todos os sustos, principalmente pela idade que ela tinha, uma pessoa com 72 anos, com a mobilidade reduzida, como é que ela iria se defender ali ou tentar buscar uma saída se era uma mata fechada?”, ressaltou a filha.

Rede Paraíba procourou a Corregedoria da Polícia Civil que informou não ter recebido denúncia formal sobre uma eventual demora para agir e que só pode começar uma apuração se isso acontecer. Para a TV Cabo Branco, o delegado do caso disse que o caso está concluído.

Os exames

Os laudos periciais feitos no corpo da idosa concluíram que a vítima teve morte natural. A informação foi confirmada por Raquel Azevedo, diretora do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), nesta segunda-feira (1º).

Segundo a diretora, foram elaborados ao todo nove laudos periciais, incluindo exames toxicológicos e sexológicos, após a localização do corpo da aposentada. A conclusão dos exames descartou a ocorrência de crime e apontou que a morte aconteceu por causas naturais.

O corpo de Milce foi encontrado no dia 29 de abril, sete dias após o desaparecimento. Segundo os laudos do IPC, não é possível determinar a data da morte de Milce, mas eles apontam que a partir de 27 de abril a idosa não tinha mais sinais vitais.

Procurado pelo Jornal da Paraíba após a divulgação dos laudos periciais, o delegado responsável pelo caso não respondeu aos contatos da reportagem até a última atualização desta matéria.

Relembre o caso

A aposentada desapareceu na manhã do dia 22 de abril, depois de acompanhar um amigo e vizinho, Willis Cosmo, a uma consulta médica no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires.

Segundo relato apresentado à polícia, após o atendimento, os dois seguiram para uma área próxima para colher mangas. O homem afirmou que perdeu a idosa de vista enquanto recolhia as frutas e que, ao procurá-la novamente, não conseguiu encontrá-la.

Após ser informado sobre o desaparecimento, um dos familiares registrou boletim de ocorrência e a Polícia Civil iniciou as investigações. Equipes do Corpo de Bombeiros também realizaram buscas na região.

Em depoimento e entrevistas concedidas à imprensa, Willis Cosmo afirmou que Milce desapareceu de forma repentina enquanto os dois estavam no local.

Blog do Araújo Neto