Fátima Bezerra, atual governadora do Rio Grande do Norte (PT), em seu segundo mandato consecutivo, caminha para o fim de sua gestão de forma melancólica e politicamente isolada.
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A data legal para a desincompatibilização do cargo é 4 de abril de 2026. No entanto, tudo indica que ela deseja sair antes, talvez porque a administração tenha se transformado numa verdadeira batata quente, queimando em suas próprias mãos.
O mais estranho e revelador é que ninguém quer sucedê-la.
O vice-governador já afirmou publicamente que não pretende assumir, e aqueles que seguem na linha sucessória repetem o mesmo discurso. A pergunta que ecoa nos bastidores e nas ruas é inevitável:
“O que, afinal, andou fazendo Fátima Bezerra em sua gestão para que um cargo de tamanha relevância cause tanto receio?”
O poder, em tese, sempre foi objeto de disputa. Mas agora, paradoxalmente, ninguém se dispõe a assumir o comando, tamanho o desgaste político, fiscal e administrativo herdado. A cadeira é de prestígio, mas o preço parece alto demais.
A governadora afirma que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado da República nas próximas eleições. Sendo filiada ao PT e contando com o presidente Lula como seu principal cabo eleitoral, é inegável que o peso dos programas sociais terá influência decisiva nesse projeto.
Hoje, mais de 500 mil famílias potiguares dependem diretamente do Bolsa Família, o que representa cerca de 1,4 milhão de pessoas, praticamente 40% da população do estado. Esse dado ajuda a explicar o capital eleitoral que ainda sustenta determinadas candidaturas, mesmo em cenários administrativos adversos.
Resta, porém, uma angústia maior:
quem socorrerá o país e em especial o Nordeste brasileiro das feridas abertas pela fome, pela escassez e por administrações que não entregam o que prometem?
Até quando viveremos presos a um quadro trágico, repetitivo e, muitas vezes, enganador, onde o discurso social não se traduz em prosperidade real?
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro





