Faleceu, na madrugada desta segunda-feira (12), o poeta, filósofo e cineasta pernambucano Jomard Muniz de Britto, aos 89 anos. Ele nasceu em 8 de abril de 1937, no bairro de São José, em Recife. O diretor e autor é conhecido por seu trabalho em obras como ‘O Palhaço Degolado’ e ‘Inventário de um Feudalismo Cultural’.
Jomard manteve uma forte ligação com a Paraíba, onde lecionou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e participou ativamente da vida cultural. Também professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi perseguido pela ditadura militar e impedido de ensinar na UFPB em 1969. Após a reintegração, voltou a dar aulas no curso de Comunicação Social da instituição paraibana, onde se aposentou como professor titular e recebeu, em 2007, o título de professor emérito. Com atuação em João Pessoa e Campina Grande, contribuiu para a formação de artistas e cineastas, ajudou a criar o Núcleo de Cinema Indireto e realizou obras como “Esperando João”, “Cidade dos Homens” e “Paraíba Masculina Feminina Neutra”, tornando-se uma referência do cinema experimental paraibano.
Em comunicado enviado aos amigos, a família informou que o velório de Jomard Muniz de Britto aconteceu na manhã de hoje na capela do Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. O enterro se deu às 16h.
Filho da pernambucana Maria Celeste Amorim, Jomard era o primogênito e o único vivo entre cinco irmãos. Estudou estética com Ariano Suassuna, com quem posteriormente teve divergências intelectuais, e, ao longo da carreira, lecionou disciplinas como introdução à filosofia, teoria do conhecimento e estética.
No início dos anos 1960, se aproximou do cineasta baiano Glauber Rocha, que o convidou para passar uma temporada em Salvador. À Glauber, Jomard atribuía o despertar de seu interesse pela realização cultural.
Em Pernambuco, passou a se destacar pela circulação entre diferentes áreas, como filosofia, cinema, literatura e música, além de desenvolver atividades como agitador cultural no estado.
Jomard integrou a equipe do Serviço de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a convite do educador Paulo Freire. Em maio de 1964, após o golpe militar, integrantes do grupo receberam rumores de que estavam na mira dos militares e de que ocorreriam prisões.
Naquele mesmo ano, Jomard foi preso e encaminhado ao Forte das Cinco Pontas, onde dividiu cela com o político Gregório Bezerra durante cerca de 20 dias. Aposentou-se precocemente da UFPE, onde atuava como professor, mas continuou dando aulas e palestras em cidades como Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba.
Jomard é apontado como um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco e participou da definição de algumas das bases do movimento. Em 1968, assinou, ao lado do músico Aristides Guimarães e do jornalista Celso Marconi, o primeiro manifesto tropicalista.
com Diário de Pernambuco





