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Investigação sobre show de Wesley Safadão em Coxixola chega à esfera federal e MP pede suspensão de pagamentos

O Ministério Público de Contas (MPC-PB) e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) acionaram mecanismos de controle para apurar os gastos da Prefeitura de Coxixola com a festa de emancipação política, que ocorre nesta quarta-feira (29).

A polêmica envolve o empenho de R$ 2,5 milhões para o evento, montante que inclui o cachê de R$ 1,3 milhão para o cantor Wesley Safadão. O valor é considerado desproporcional para o município do Cariri paraibano, que possui apenas 1.824 habitantes e está sob decreto de emergência devido à estiagem.

Ofensiva do Ministério Público de Contas

O Ministério Público de Contas protocolou uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) solicitando a suspensão imediata dos pagamentos. A procuradora-geral do MPC, Elvira Samara Pereira de Oliveira, argumenta que a despesa é “manifestamente desproporcional” à realidade orçamentária da cidade. Na petição, o órgão destaca que a situação de calamidade hídrica exige prioridade para despesas essenciais, sob pena de multa pessoal ao gestor e outras sanções legais.

Inicialmente, o TCE-PB informou que o processo seguia tramitação normal e que não havia denúncias que justificassem uma medida cautelar. No entanto, com a nova representação do MPC, o Tribunal deverá reavaliar a necessidade de uma intervenção urgente para evitar o dano ao erário antes da conclusão das festividades.

Verba federal e remessa ao MPF

Um novo desdobramento surgiu após a manifestação do Ministério Público da Paraíba (MPPB). O órgão estadual informou que, após a instauração de um procedimento inicial, identificou que os recursos utilizados para o pagamento dos shows são de origem federal. Em razão disso, o caso foi oficialmente remetido ao Ministério Público Federal (MPF), que agora detém a competência para investigar possíveis irregularidades no uso dessas verbas da União.

O MPPB ressaltou que o monitoramento do caso está alinhado ao projeto estratégico “Água Digna, Festa Legal”. A iniciativa utiliza uma métrica objetiva, chamada Calculadora de Compatibilidade Hídrica, para avaliar se os gastos com festividades respeitam a realidade fiscal e a crise de abastecimento humano nos municípios paraibanos. Como Coxixola alega estado de calamidade para captar recursos federais, o uso desses mesmos fundos para entretenimento de alto custo está sob forte suspeição.

Auditoria e silêncio da gestão

Além do cachê artístico, o Tribunal de Contas acompanha o documento nº 42475/26, que detalha o gasto de R$ 1,07 milhão apenas com a estrutura de palco e som, via dispensa de licitação. Os órgãos de controle agora cruzam dados para verificar a origem exata dos recursos, o impacto nas metas fiscais do município e o cumprimento dos limites constitucionais em áreas como saúde e educação.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Coxixola não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre a proporcionalidade dos gastos e a justificativa para manter o investimento milionário em meio ao decreto de emergência hídrica. O espaço permanece aberto para o posicionamento da gestão municipal.

Blog do Araújo Neto