O cenário da inadimplência no Brasil em março de 2026 revela um ciclo de difícil ruptura. Segundo dados da CNDL e do SPC Brasil, 85,34% das inclusões de CPFs em cadastros de devedores, processo conhecido como negativação, que restringe o acesso do cidadão a novos créditos e parcelamentos, foram de pessoas reincidentes. Ou seja, consumidores que já haviam passado por essa restrição nos últimos 12 meses.
O levantamento aponta que a maioria desses devedores (65,85%) vive um acúmulo de dívidas: eles foram negativados novamente sem sequer terem conseguido limpar as pendências anteriores. Outros 19,49% chegaram a sair da lista de devedores no último ano, mas acabaram retornando ao cadastro.
Um ponto de atenção para a economia é a velocidade desse processo. O intervalo médio entre o vencimento de uma conta e a próxima pendência é de apenas 74 dias (cerca de 2,5 meses). Isso demonstra que, para a maioria, a quitação de um débito não encerra o problema, funcionando apenas como uma pausa antes de um novo atraso financeiro. Nos últimos 12 meses encerrados em março, o número de brasileiros que voltaram a ter restrições no nome cresceu 14,06%.
Perfil dos reincidentes
A faixa etária dos 30 aos 39 anos, período de maior atividade econômica, lidera as estatísticas, concentrando 25,97% dos registros. O cenário é de um sistema saturado, onde 44,42% da população adulta enfrenta algum tipo de negativação. Quanto ao gênero, predomínio feminino: as mulheres somam 54,84% dos negativados, enquanto os homens representam 45,16%. Veja os percentuais de reincidência por faixa etária:
– 30 a 39 anos: 25,97%
– 40 a 49 anos: 23,11%
– 50 a 64 anos: 19,78%
– 25 a 29 anos: 12,32%
– 65 a 84 anos: 9,09%
– 18 a 24 anos: 8,79%
– 85 ou mais: 0,94%
A idade média dos devedores reincidentes ficou em 43,2 anos.
Fonte: SPC Brasil
O valor médio pago por consumidor que conseguiu a recuperação em março de 2026 foi de R$ 2.192,38. Os dados mostram que 59,63% quitaram até R$ 500 nas dívidas. Veja abaixo os valores e a participação no total de devedores em março de 2026:
– Até R$ 500 em dívidas: 59,63%
– R$ 1.000,01 a R$ 2.500: 13,17%
– R$ 500,01 a R$ 1.000: 12,51%
– R$ 2.500,01 a R$ 7.500: 8,21%
– Acima de R$ 7.500: 6,48%
Fonte: SPC Brasil
“O cenário atual de alta inadimplência é agravado pela rapidez com que o consumidor volta a falhar com seus compromissos. Em março, observamos que o intervalo entre o vencimento de uma dívida e a próxima é de apenas 74,1 dias — ou seja, em menos de três meses, o orçamento doméstico volta a colapsar. A queda de 4,61% na recuperação de crédito acumulada em 12 meses é um sinal de alerta para a economia, pois indica que, apesar de eventuais esforços de renegociação, o ambiente de juros e o custo de vida continuam sufocando o consumidor, tornando a saída definitiva do cadastro de devedores uma meta cada vez mais distante”, afirma o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.





