O prazo para a implantação da estação de tratamento está diretamente relacionado ao andamento dos demais projetos que integram a requalificação, como as obras de dragagem, drenagem e a etapa urbanística. O professor explica, no entanto, que, no que se refere aos estudos e à aplicação do projeto, a estação deve ser lançada para licitação ainda este ano.
“Ainda nesse primeiro semestre a gente já vai estar dando entrada, a gente já vai estar dando início ao processo licitatório para execução dessas soluções. Essas várias soluções que eu falei, elas vão ocorrer em paralelo, não é um após a outra. Elas vão ocorrer em paralelo para que seja feito o mais rápido possível”, explicou.
Segundo Cícero Felipe, o projeto que ele coordena busca soluções para o problema histórico do Açude Velho, relacionado à mortandade de peixes, desde maio de 2025. A iniciativa reúne outros pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), incluindo estudantes, além de integrantes do corpo técnico da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente de Campina Grande.
Sobre uma solução definitiva, o professor afirma que as ações em andamento devem produzir resultados de forma gradual e ressalta que, em questões ambientais, os efeitos das intervenções não são imediatos.
“A cidade sofre com esse problema do Açude Velho há muitos anos. Vamos colocar aí uns 60 anos, por baixo, que a cidade sofreu esse problema. E pela primeira vez está sendo realmente de fato dado o pontapé inicial para um tratamento significativo do açude. Então sim, eu acredito muito nessa solução, pelo que eu estou estudando e pelo meu conhecimento, eu digo que a gente vai ter sim uma melhora brutal na qualidade da água do açude velho e na convivência da população com Açude Velho”, ressaltou.
No dia a dia, o tratamento vai funcionar com a gestão das águas do Açude Velho, sempre acompanhadas tecnicamente, para retirar, tratar e devolver o líquido em boas condições no espaço do reservatório.
“A gente vai retirar essa água do açude velho, vai compor essa água com a vazão de entrada do canal e vai tratar essa água e vai devolver ao açude velho. E isso com o passar dos anos, o tratamento vai chegar a um ponto ótimo. Não é da noite para o dia que o tratamento vai fazer efeito, óbvio. Mas gradativamente essa água vai sendo reciclada”, finalizou.
Outra possível solução
Em paralelo, uma outra pesquisa, sem ligação com a anteriormente citada, comandada por Gabriele de Sousa Batista, doutorando em Engenharia Civil e Ambiental pela UFCG, traça uma outra forma para ajudar a resolver os problemas do Açude Velho.
Esse projeto está vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e é uma forma de incentivo para pesquisas de mulheres na área da ciência. A pesquisadora explica como funcionaria.
“É uma solução baseada na natureza, ela imita um processo básico que a natureza já faz, que é um processo de fitoremediação, uma área alagada que fica ali flutuando dentro do local, que faz a filtração dessa água, a absorção dos contaminantes a partir de plantas, melhorando ali não só a questão da qualidade de água, mas também trazendo outros benefícios, como valorização estética e paisagismo”, explicou.
Segundo a pesquisadora, a solução já foi oferecida para ajudar no problema do Açude Velho e foi testado também em outros locais, dentro da própria UFCG para conseguir reverter procesos semelhantes ao que o reservatório passou. A pesquisa acontece no âmbito também da tentativa de tratamento do Canal das Piabas, também em Campina Grande.
A situação do Açude Velho

Ministério Público da Paraíba e Polícia Civil, além da Defensoria Pública da Paraíba, apuram a morte de cerca de 10 toneladas de peixes no Açude Velho. Também há a investigação para saber se esgoto está sendo jogado irregularmente no reservatório, o que contribuiria para a piora da condição do local, com inclusive nove imóveis tendo sido autuados por esse despejo em Campina Grande.
Entre os imóveis fiscalizados estão casas e pontos comerciais que não tiveram seus proprietários publicamente identificados. De acordo com a prefeitura, após a fiscalização os imóveis em situação irregular foram notificados e multados.
Uma perícia por parte do Instituto de Polícia Científica (IPC) foi solicitada pela Polícia Civil dentro do inquérito para investigar possível crime ambiental, mas o resultado dessa perícia foi adiado no que diz respeito ao momento da divulgação.
A prefeitura de Campina Grande concluiu e divulgou, por meio de nota técnica, que a morte dos peixes em excesso aconteceu por causa de “um fenômeno ambiental natural, denominado Circulação Vertical Turbulenta da Coluna d’Água” e explicou que isso é “comum em reservatórios do semiárido e intensificado por condições climáticas específicas, como altas temperaturas diurnas, noites mais frias, ventos intensos, baixa lâmina d’água e ausência de renovação hídrica significativa”.
Por conta desses processos, a nota técnica da prefeitura informou que o fenômeno “promove a ressuspensão do sedimento do fundo do açude, rico em matéria orgânica acumulada ao longo de décadas, ocasionando a liberação de gases tóxicos”. A nota avança que “esses gases provocam intoxicação aguda da ictiofauna, levando à mortandade de peixes, inclusive antes da ocorrência de deficiência crítica de oxigênio dissolvido”.





